protestante. Naturalmente ele caminha fora do pensamento católico sobre a Mãe de
Jesus e até mesmo longe do entender luterano e anglicano. Tudo o que ele cita da
Bíblia corresponde ao texto sagrado. O que não corresponde é a interpretação dada
pelo autor. Para que suas afirmações não confundam católicos menos avisados,
trago um esclarecimento. Como seria bom que nossos irmãos separados
divulgassem as dezenas de verdades comuns aos dois ramos religiosos
procedentes do mesmo Tronco, em vez de dar tanto relevo aos pontos que
infelizmente nos separam! Que dizemos de uma pessoa que só fica apontando os
defeitos dos outros? Os fariseus só seguiam Jesus para tentarem confundi-lo,
apontar-lhe "erros" ou apanhá-lo em pretensas "contradições" (Mt 12, 10; 19,3; 22,
15; Lc 11, 54; Jo 8, 6); nunca chegaram a ver nele o Enviado do Pai.
Examinemos o folheto
A. No parágrafo segundo afirma: "em tempo algum Maria intitulou-se Mãe
de Deus". Concluir que Maria não deva ser chamada Mãe de Deus pelo
simples fato de ela nunca se ter intitulado assim, é tão sem lógica, é tão falho
quanto dizer que Jesus não é filho adotivo de José por ele nunca se ter
intitulado filho adotivo de José.
B. No parágrafo terceiro: "O ensino divulgado de que Maria é mãe de
Deus não se fundamenta na Bíblia..." Nós, católicos, sabemos que este
ensino se fundamenta na Bíblia. Eis aqui: quando Maria entrou na casa de
Zacarias, a esposa dele, Isabel, ''repleta do Espírito Santo", com um grande
brado exclamou: "Como me é dado que venha a mim a MÃE DO MEU
SENHOR?" (Lc 1,43). MEU SENHOR significa MEU DEUS. Isabel, cheia do
Espírito Santo, nos fará sempre dizer com grande amor: Maria, MÃE DO MEU
SENHOR, MÃE DO MEU DEUS. É Bíblico, sim, mas só para quem vê Maria
com o coração e não com prevenção.
C. Ainda no mesmo parágrafo: "Quem divulga esta inverdade esqueceuse
de que Jesus tinha duas naturezas, a divina e a humana. Maria foi mãe
apenas da natureza humana de Jesus... " O autor do folheto, sim, esqueceuse
de um princípio de filosofia, segundo o qual "as ações são da pessoa".
Por exemplo: se esbofeteio uma pessoa, não posso dizer: foi minha
mão que a ofendeu e não eu. Assim, toda mãe é mãe da pessoa e não só da
natureza do filho. Maria gerou a PESSOA de Jesus, que tem, de maneira
inseparável, as duas naturezas, a divina e a humana. A PESSOA de Jesus é
e será sempre o Verbo feito Carne indissoluvelmente. A Pessoa do Verbo,
nascendo de Maria, assumiu a natureza humana. Assim, quando os homens
mataram Jesus, cometeram um crime de lesa divindade, condenando quem
era Deus e homem. Maria é mãe de uma pessoa divina, de Jesus-Deus, é
mãe do Deus feito homem.
Desde a encarnação, tudo o que Jesus fez, foi feito como Deushomem.
Por isto, Maria é mãe do meu Senhor e não só mãe da natureza
humana. É mãe do meu Deus
O autor do folheto pergunta: "Como pode Maria ser mãe daquele que
sempre existiu?" Sim, pode, porque para Deus "nada é impossível" (Lc 1, 37).
O próprio Verbo eterno de Deus se encarnou em Maria e se fez Filho de
Maria! Mistério lindo! Como é bom tê-lo no coração!
O jornal "A Cidade de Rio Claro", em 19/11/83, publicou um artigo do
pastor Roberto Vicente Lessa, presbiteriano. Ele deu um curso na Escola
Dominical da Catedral Evangélica de São Paulo, sobre "Maria, mãe de
Jesus". Demonstrou que Maria é mãe de Deus e lembra que a expressão é
utilizada por Martinho Lutero, o reformador Protestante. Neste ponto, Lutero e
Lessa pensam como os católicos. E esclarece: os Mórmons e as
Testemunhas de Jeová NÃO podem ser considerados EVANGÉLICOS,
porque suas teologias são muito distantes". Isto significa que a doutrina dos
verdadeiros protestantes (os pentecostais, os luteranos, os anglicanos
também chamados episcopais, os calvinistas também chamados
presbiterianos, os congregacionais, os metodistas e os batistas) está mais
próxima da crença católica do que da doutrina dos Mórmons e dos
Testemunhas de Jeová. Convido o autor de "A Maria que amamos" a
converter primeiro os espíritas, os pagãos, os Mórmons e os Testemunhas de
Jeová, que estão distanciados do pensamento cristão.
D. Sobre a frase do Evangelho: "José não a conheceu ATÉ QUE desse à
luz um filho" (Mt 1, 25), afirma o folheto no parágrafo quarto que, com isto,
subentende-se que depois José viveu maritalmente com Maria como todo
casal, e que nasceram deles filhos e filhas. À primeira vista, esta
interpretação parece clara e lógica como um silogismo, mas vamos ao fundo
da questão, examinando o sentido desse ATÉ QUE na língua em que foi
escrito.
A questão é velha. Os primeiros que descreram da virgindade de Maria
a partir desse ATÉ QUE foram os hereges Joviniano e Helvídío, do século IV.
No entanto um outro herege Loisy, morto em 1940, que tanto negou o
Evangelho, confessa em seu livro Evangelhos Sinóticos I, 340s, que,
estudando no original esse ATÉ QUE, "ninguém pode deduzir nada contra a
virgindade de Maria".
Note-se que o evangelista não está escrevendo a vida de Maria, mas
as mensagens de Jesus. Só lhe interessava apresentar o nascimento virginal
de Jesus, sem referência ao modo de Maria e José viverem após o Natal. Diz
o que até aí aconteceu (José "não a conheceu", isto é, não viveu
maritalmente com ela) e não diz o que aconteceu depois. Não afirma nem
nega que Maria tenha permanecido virgem depois.
O comentarista francês Joüon, em sua obra L'Evangile, 295s, afirma
que “o sentido de ATÉ QUE no original não coincide exatamente com o do
francês JUSQUE" e nos dá a tradução correta daquela frase: "E sem que
José a tivesse conhecido, ela deu à luz um filho''.
Em 2 Samuel 6,23 lemos: "Micol, filha de Saul, não teve filhos ATÉ o
dia de sua morte". Seria ridículo deduzir que Micol teve filhos depois da
morte...
Se o texto em questão ("José não a conheceu até que desse à luz")
nada diz contra nem a favor da virgindade de Maria, o restante do Evangelho
deixa ver muito claro que Maria só teve um filho, o seu primogênito; que não
teve outros filhos carnais.
Vejamos.
Os “irmãos de Jesus”
Vários ramos do protestantismo afirmam que Maria, mãe de Jesus, teve
outros filhos, porque o Evangelho chama de "irmãos de Jesus" a Tiago, José Simão
e Judas, e menciona "irmãs" de Jesus. E o diz tão claramente, que muito católico
fica perplexo, com vontade de perguntar: - Então andam certos os que dizem que
Maria não é virgem? E nós, católicos, estamos enganados?
Como essa é uma acusação que os nossos fiéis ouvem dezenas de vezes,
sem que tenham condições para contradizer, é útil levar ao conhecimento público a
verdade sobre o assunto.
Lamento recorrer à Escritura para fazer frente a ataques. A Bíblia, como
Palavra de Deus, é um inestimável dom, oferecido ao homem para que ele assimile
as mensagens do Pai, conforme sua vida à vontade divina, ilumine o caminho do
seu peregrinar, creia e se salve. Não é um presente de Deus para ser usado como
instrumento de discussões que só aumentam as divisões. Cristo veio unir o que o
pecado separou. Um dos grandes obstáculos para o mundo aderir ao Cristo é, sem
dúvida, o fato de estarem se acusando, se atacando em campos opostos os
cristãos, cuja missão é reunir os homens numa só família de filhos de Deus e cujo
principal mandamento é o "amai-vos uns aos outros".
Se você tem menos estima por alguém, só pelo fato de ele não entrar no
mesmo templo de pedra que você frequenta, você está dando um atestado público
de não estar seguindo a Jesus Cristo.
E para que você não fique confundido diante de quem pensa entender bem
as Escrituras, passo a explicar-lhe quem são os "irmãos" de Jesus.
A. Lugares onde aparecem os "irmãos" de Jesus
- Mt 12, 46: "Sua mãe e seus irmãos procuravam falar-lhe".
- Mt 13, 55: "Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria
e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?"
- Mc 6, 3: "Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José,
Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs?"
- Mc 3, 31-32: "Nisto chegaram sua mãe e seus irmãos e tendo ficado do lado
de fora, mandaram chamá-lo. Muita gente estava sentada ao redor dele e lhe
disseram: olha, tua mãe, teus irmãos e irmãs estão lá fora à tua procura".
- Lc 8,19: "Vieram ter com ele, sua mãe e seus irmãos e não podiam
aproximar-se por causa da concorrência de povo. E lhe comunicaram: tua
mãe e teus irmãos estão lá tora e querem ver-te".
- Jo 2,12: "Depois disto desceu ele para Cafarnaum com sua mãe, seus
irmãos e seus discípulos".
- Jo 7, 3 e 5: "Então os irmãos de Jesus disseram-lhe..." "Até seus irmãos não
acreditavam nele".
Em Defesa da Fé 14
- At 1, 14: "Todos unânimes perseveravam em oração com algumas mulheres
entre as quais, Maria, mãe de Jesus e os irmãos dele".
- 1Cor 9, 5: "Irmãos do Senhor".
- Gl 1,19: "E não vi outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor".
B. Jesus é primogênito
- Lc 2, 7: Maria "deu à luz seu filho primogênito".
De tudo isto muitos concluem que Maria teve outros filhos. Pelo fato de Jesus
ser chamado "primogênito" não significa que ele tivesse irmãos. Quem o era,
trazia com orgulho o título de primogênito, mesmo que não se lhe seguisse
um irmão, porque gozava de particulares privilégios legais. É digno de nota
este epitáfio num túmulo egípcio: "Arsinoé, morta no parto de seu
primogênito" (Bíblia Barsa, Mt 1, 25 nota). Este primogênito era filho único.
C. Esclarecimento
1. Os judeus não tinham como nós palavras diferentes para designar "tio'",
"sobrinho", "primo", "neto". Empregavam o mesmo termo ('ak) para irmão, tio,
sobrinho, primo ou neto, isto é, para consanguíneos. Todos eram chamados
de IRMÃO.
Exemplos:
- Gênesis 13, 8: "Disse Abrão a Ló: não haja contenda entre mim e ti, e entre
os meus pastores e os teus pastores, porque somos IRMÃOS".
A Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro, em sua edição de 1972,
protestante traduz aqui a palavra 'ak por "parentes chegados", tradução
absolutamente certa. De fato, Abrão é o tio de Ló. Mas pergunto, por que
essa sociedade bíblica não traduz também por "parentes chegados" a mesma
palavra 'ak empregada em todas as citações que temos acima sob a letra A?
- Gn 12, 5: "Levou Abrão consigo a Sara, sua Mulher, e a Ló, filho de seu
irmão". Filho de seu irmão, porque falta na língua a palavra sobrinho.
- Gn 11, 27: "São estas as gerações de Terá (ou Taré): Terá gerou Abrão,
Naor (ou Nacor) e Harã (ou Arão); e Harã gerou a Ló".
- Gn 11,31: "Tomou Terá a Abrão, seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho do seu
filho". Filho do seu filho, porque falta na língua deles a palavra neto.
- Gn 29, 15: "Depois disse Labão a Jacó: - acaso por seres meu parente, irás
servir-me de graça?" Aqui a palavra parente, no original, é também 'ak =
irmão; no entanto, Jacó é sobrinho, como se vê em Gn 29, 13: "Tendo Labão
ouvido as novas de Jacó, filho de sua irmã". A Sociedade Bíblica do Brasil
traduziu também desta vez a palavra 'ak por parente. E está certo. Mas,
porque não traduz também por parente quando se refere a Jesus?
- 1 Crônicas 23, 21-22: Filhos de Merari: Mali e Musi; filhos de Mali: Eleazar e
Quis. Morreu Eleazar e não teve filhos, porem, filhas: e os filhos de Quis,
"seus irmãos, as desposaram". Eis a palavra irmãos por primos. Então é
claro, claríssimo que a palavra irmão 'ak se emprega na Bíblia com o sentido
de consanguíneo, parente próximo. Logo, por serem chamados irmãos de
Jesus os mencionados Tiago, Simão, José e Judas, não se pode concluir que
sejam filhos da mãe de Jesus.
2. Para vermos quem seriam os 4 "irmãos", basta descobrir seus pais. Abramos
o Evangelho.
a. Jo 19, 25: "Perto da cruz de Jesus permaneciam de pé a sua mãe, a
irmã de sua mãe, Maria de Clopas, e Maria de Mágdala". Eis aí, a
segunda Maria, chamada de irmã (parente próxima) da mãe de Jesus, é
mulher de Clopas, que tem o segundo nome de Alfeu e é pai de Tiago
(Lc 6, 15). Então, os pais de Tiago Menor e de José são: Maria, parente
da mãe de Jesus, e Clopas (Alfeu), e não Maria, mãe de Jesus, e José.
Mt 27, 56 diz claro que essa Maria é mãe de Tiago e José, parentes
próximos de Jesus.
b. Judas, o 3º dos 4, chama-se a si mesmo "irmão de Tiago" (e não irmão
de Jesus, como gostariam outros) em sua carta 1,1: "Judas, servo de
Jesus Cristo e irmão de Tiago"'. Está claro que também este, não é filho
da mãe do Senhor.
c. Quanto a Simão, não são citados seus pais em lugar algum. Nunca é
chamado filho de Maria ou de José: não queiramos fazê-lo nós. É
suficiente vê-lo no rol dos outros "parentes próximos" de Jesus, para
saber que se trata de um consanguíneo do Senhor.
3. Os "irmãos de Jesus" NUNCA são ditos "filhos de Maria" e Maria só é
chamada pelo Evangelho de "Mãe de Jesus" (Jo 2, 1; At 1, 14).
4. Quando Jesus atingiu a idade de 12 anos (Lc 2, 41-52) a sagrada família
compunha-se de três pessoas: José, Maria e Jesus. Nenhum irmão mais
velho nem mais novo de Jesus!
5. Se Jesus tivesse um irmão, antes de morrer não iria confiar sua mãe a João
que não era da família. Vejam.
Jo 19, 26-27: Vendo Jesus sua mãe e junto dela o discípulo amado, disse: -
"mulher, eis aí leu filho! 'Depois disse ao discípulo: '"eis aí tua mãe! Dessa
hora em diante o discípulo a tomou para casa". É que Maria não tinha outro
filho. João, o discípulo amado, era filho de Zebedeu: "Pouco mais adiante viu
Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco
consertando as redes" (Mc 1, 19). A mãe de João é Salomé, conforme Mt 27,
56 e Mc 15, 40, onde se depreende que a mulher de Zebedeu é Salomé.
Conclusões
• A Igreja não me enganou. São outros que andam no engano por não verem averdade total. E as maiores mentiras são as meias verdades.
• Caberá sempre à mãe de Jesus o título que lhe consagrou o profeta Isaías 7,
14: "Eis que a VIRGEM conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará
Emanuel" = Deus conosco!
• O programa do Pai é que os seguidores de Cristo procurem tornar-se
"conformes à imagem de seu Filho, afim de que ele seja o PRIMOGÊNITO
entre a multidão de IRMÃOS" (Rm 8, 29). Eis uma verdade maravilhosa, que
